6.11.07
Vivendo em Jampa.

Depois de ficar um mês em João Pessoa para “sentir o pulso” da cidade já tenho uma idéia melhor de como é viver nela. Sei que até pode ser inútil, mas aqui vão algumas dicas e impressões que eu tirei da experiência:
- Como já havia dito em outro post, nem sempre é um bom negócio viajar de pacote e/ou ficar em hotéis. Os gringos estão investindo direto na cidade. E como eles aparecem no máximo uma vez por ano é molinho alugar um apartamento mobiliado por temporada. Só para dar uma idéia, aluguei uma cobertura na beira da praia, com três quartos, piscina e o escambau por marromenos 60 real de diária. Imagina dividir por dois casais.
No dia seguinte em que cheguei aqui em casa, o Alexandre, motorista do táxi em que eu andava, telefonou avisando que uma sueca quer alugar uma outra cobertura mobiliada por mais ou menos uns 500 real. Tipo assim só para garantir pagamento do condomínio.
- O sol racha. É preciso ter coragem para caminhar entre 10 e 3 da tarde. Em compensação na sombra é sempre fresquinho. Quer dizer, no sol é um maçarico, mas a temperatura é agradável. Sem aquele calor sufocante do Rio.
- O mais estranho é que durante o dia as praias ficam vazias, com exceção dos domingos. É como se você chegasse em Ipanema ao meio dia e tivesse um montão de vagas para estacionar na beira da praia. De noite a coisa muda. A partir das cinco da tarde é uma festa. As calçadas ficam cheias de gente caminhando patinando, etc. E o que é mais legal: um montão de velhinhos/matuscas levam cadeiras para o calçadão e ficam lá no maior papo até tarde. Muitos jovens se reúnem na areia para conversar, tocar violão, tomar uns gorós e tal.Tudo numa boa.
- Sempre correndo o risco de generalizar posso dizer que o povo é amável no trato, prestativo, fica teu amigo rapidinho, mas pouco elegante. Via sempre várias pessoas bem vestidas, nos restaurantes mais badalados da cidade, palitando os dentes na maior. E o que é pior, com a mão na frente da boca naquela de: Tá vendo como sou fino? Palito os dentes na mesa e abano. Melhor, só se botassem a dentadura num copo com Coca Cola pra limpar direitinho...
Todo lugar tem sushi (virou praga de arroz, né não?) e a turma usa os pauzinhos com elástico...Tem até outra praga muderna, “fast food” japonês. Tipo assim um Mcdonald’s de Temaki. Só não achei o tal hambúrguer de bode
- Em geral comer peixe em restaurante não é uma boa pedida. Aliás, coisa muito comum em todo o nordeste, com exceção da Bahia. Os caras só servem pescadas, dourados, etc. Peixe frito então é desastre certo - molenga e gorduroso de dar nojo. Quem é neto de pescador sabe que peixe frito com farinha de trigo fica aquela gosmeira só. Peixe sequinho e crocante só no fubá...tão sabendo? Entonces, nem nos quiosques se consegue comer um bom peixinho fresco da região. Mas tem solução. Descobri uma colônia de pescadores pertinho da cidade. Lá comprei Guarajubas – um dos melhores peixes do nordeste - por 10 real o quilo. E o pescador me disse que todo dia chega fresquinha. Vai entender
- Os supermercados são bons. Carrefour e Hiper Bom Preço são os maiores. Mas o risco de comprar frios e laticínios estragados é alto. Principalmente no Pão de Açúcar. Os preços são parecidos, coisas que vem do sul maravilha são um porquinho mais caras.
Existem boas padarias. Comprar frios e laticínios nelas é mais seguro. O mais engraçado é que o cara da padaria do bairro ficou conhecendo a Matusalinda como "a dona que faz questão de comprar queijo minas”.
Já viu, né? "Esses cabras cariocas não comem queijo coalho no café?"
- O trânsito é bem civilizado. Andam devagar e param na faixa de pedestres. Talvez por isso mesmo são meio distraídos e batem pra cacete. Nada sério, mas vi muitas barbeiragens. Várias encostadinhas na traseira e nas laterais dos veículos. Uma das mais engraçadas aconteceu na pracinha do Tambaú. Uma picaque estava parada e o motorista de uma outra foi estacionar na vaga da frente. Calculou mal e pegou com a lateral na frente da primeira. O cara saltou, identificou o outro, se abraçaram e ficaram no maior papo como se nada tivesse acontecido. Detalhe: a que bateu ficou atravessada no meio da rua um tempão.
- Outra coisa muito esquisita é andar de ônibus. As linhas são organizadas, os veículos limpos e tal. Mas, para ir de Cabo Branco – onde eu estava – para Tambaú, você tem duas opções:
1 - Pega um ônibus, desce quatro ou cinco quarteirões depois, caminha mais dois e pega um outro ônibus para saltar mais três quadras depois.
2 - Pega um ônibus, vai até a integração, no centro da cidade, e pega um outro (sem pagar outro bilhete) para o seu destino. Marromenos como ir do Leblon para Ipanema, via Botafogo.
- Andar de táxi é barato e seguro. Nem adianta achar que você vai estar em qualquer lugar e vai passar um livre. Não rodam vazios mesmo. Você tem que ir até um ponto para pegar um. O melhor é se cadastrar numa cooperativa e chamar sempre que precisar.
Conclusão: João Pessoa é uma ótima cidade para se viver. Sonolenta, sem muita coisa pra fazer, mas em compensação agradável e segura. A orla lembra muito o Leblon de trinta anos atrás. Até mesmo no desenvolvimento imobiliário. Quem tem casa vive sendo aporrinhado para trocar por dois ou três apartamentos no edifício que poderia ser construído no terreno. Então corram. Acho que o cabra aqui vai...
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Vou atualizando aqui devagar e sempre. Não estranhem se de vez em sempre tiver coisa nova no mesmo post. Sabem como é: cabeça de múmia é enrolada mermo.
29.3.07
Vá por sua conta.
Mapinha 4 rodasNem sempre comprar um pacote em empresas de turismo é um bom negócio. Normalmente é mais caro - no máximo empata. É claro que depende de onde você sai, mas minha experiência indica outras vantagens importantes além do preço:
1 - Você realmente escolhe a data e quanto tempo quer ficar.
- Na Gol você não paga nada para alterar a data. Só deve ficar atento se comprou passagem em promoção.
2 - Mais opções de hospedagem.
- Normalmente reservo duas noites num hotel, na Internet. Depois, se gostar, estico. Se não gostar, pesquiso estando no destino e troco por outro.
- Ex. O Guia 4 rodas indica o Hardman Praia como o melhor de João Pessoa. Até concordo, mas o Tropical Tambaú é muito melhor localizado - na areia da praia, pertinho de tudo - e é um bom hotel.
3 - Escolhe o receptivo para fazer passeios.
- Em Jampa é mais barato fazer um city tour e alguns passeios de táxi. Sem aqueles turistas melequentos que às vezes aparecem só pra chatear. Se deu sorte e conheceu uma turma legal no hotel, então pode escolher uma boa empresa de receptivo para fazer passeios mais animados.
4 - Você pode conhecer outros lugares numa mesma tacada.
- Ex. Porto de Galinhas fica a cento e poucos quilômetros de João Pessoa. Então, você contrata um transporte, reserva umas duas ou três diárias pela internet e manda ver. Vale também para Natal.
Ah, um vôo João Pessoa/Recife/João Pessoa custa umas 150 piastras.
Comparativo:
Pacote
Duas pessoas
Aéreo + 7 noites Tropical Tambaú.
Traslados + city tour.
Meses comuns = 2300,00 a 2500,00
Férias/feriados = 2500,00 a 2900,00
Conta própria
Gol 493,04 x 2 = 986,08
Hotel Tambaú - 7 noites x 155,00 + 10% = 1193,50
Traslado= 80,00
City Tour = 50,00
Total = 2309,58
Obs. A vantagem costuma ser maior nos meses de férias porque nem sempre as companhias aéreas e os hotéis aumentam seus preços, mas as empresas de turismo com certeza sim.
15.3.07
Aperitivo

Você pode ficar nas praias da orla.

Pegar um catamarã na praia e se esbaldar na Areia Vermelha. Um enorme banco de areia que surge na maré baixa a menos de mil metros da orla.

Ou ir para bem "longe" - uns 40 quilômetros para o sul e ficar na deserta Praia do Coqueirinho.
9.3.07
João Pessoa
Agora, só não conheço seis capitais DESTE país. Infelizmente demorei muito tempo para conhecer a melhor delas: João Pessoa.Não dá pra entender como outros lugares são muito mais badalados. Quer dizer, até entendo. Pensando bem, talvez por isso mesmo João Pessoa ainda é o que é. A cidade é encantadora. Limpa, ótimas praias, tráfego tranqüilo, povo acolhedor e sem a violência explícita ou mesmo enrustida de outros lugares.
Fiquei por lá uma semana, andei por toda a orla sem ser abordado nenhuma vez por mendigos, vendedores de bugigangas, crianças abandonadas ou amigos do alheio - coisa impensável no Rio. João Pessoa derruba definitivamente a teoria babaquera que a pobreza é sinônimo de violência. Afinal, é uma capital do Nordeste, como Recife. E distante apenas 125km daquela cidade absurdamente violenta.
No hotel conheci um grupo muito legal de pessoas de São Paulo que tenho certeza pensam como eu.
Comecei este blog pra homenagear a cidade e manter contato com os novos amigos e os antigos apaixonados por Jampa - como é carinhosamente chamada pelo povo de lá.
Então, Raphael, Julio, Mara, Zé & Cia, vamos voltar?